O que é nosso ninguém tira
Eu me lembro de quando trabalhava ainda no mundo corporativo e para mim o pior dia era o primeiro. Aquele momento que a gente não conhece ninguém e tem que ser apresentada a todos, conhecer as funções, o sistema e tudo o que envolve este novo lugar.
Como recordação eu associo a momentos desconfortáveis, assim como quando a gente é apresentada em alguma reunião de amigos, família do parceiro ou parceira e não conhecemos ninguém.
Independente de você se sentir desconfortável nestes situações ou não, uma coisa é fato: não somos essencialmente nós mesmos no primeiro contato com alguém e de acordo com o ambiente e a relação que temos neste lugar e pessoa, seremos diferentes.
O que é nosso a gente disfarça para os outros
O que eu quero dizer com isso?
Se eu estou numa empresa como analista de marketing, por exemplo, eu vou precisar agir com as pessoas de uma determinada maneira que imprima esse trabalho. Se eu agir com os colegas de trabalho como eu poderia agir com um namorado, é possível que eu tenha problemas por lá.
Atualmente eu sou terapeuta, se eu for atender meu cliente como se ele fosse meu amigo não estarei contribuindo para o processo dele.
E isso é com todo mundo em todos os lugares. Já pensou se você tratar sua namorada como uma funcionária da empresa que você trabalha? Demandando algum trabalho ou usando termos técnicos, sendo mais formal ou como age numa reunião?
O que eu estou querendo trazer aqui é um dos termos usados pelo psicólogo e psicanalista Carl Gustav Jung, que criou a psicologia analítica abordagem que eu trabalho, que fala sobre as máscaras.
O que são as máscaras sociais?
Assim como a máscara do teatro antigo, são os papéis que temos em cada ambiente: no trabalho, como pais e mães, como filhos, maridos, esposas, na família e assim seguimos.
Todos nós usamos as personas (ou máscaras) como forma de sobreviver às exigências da vida, mas podemos abandoná-las de vez em quandto para conhecermos um pouco mais de nós mesmos.
Porém, com o outro tentamos “esconder” o nosso pior lado. É por isso que digo que o que é nosso ninguém tira, mas podemos camuflar.
Pense no início de um relacionamento. Pensou? Agora responda francamente: você age imediatamente com naturalidade mostrando o seu pior lado para a pessoa que você está gostando? Duvido.
Esse é o papel da máscara.
É possível ser a gente mesmo com o outro?
Embora as máscaras sejam necessárias ficarmos o tempo todo “atuando” com alguma delas é bem prejudicial. E para que isso não aconteça é necessário que a gente se perceba.
Para se perceber o autoconhecimento é fundamental.
Porém, quanto mais autênticos e espontâneos nós formos, mais possibilidade de sermos a gente mesmo com o outro.
Temos a tendência de camuflar partes de nós aos outros por querer agradar e ser aceitos! E a verdade é que em menor ou maior escala iremos desagradar alguém e isto vai ser independente de sermos ou não a nossa essência.
E quanto mais escondemos dos outros o que somos não estamos lidando com partes nossas que também precisam ser olhadas, como por exemplo, algum defeito. Porque o que é nosso ninguém tira, mas a gente precisa identificar e aceitar em nós.
Então, se eu puder te dar uma sugestão eu diria para aprofundar seu conhecimento sobre você, procurar uma terapia que você se identifique, buscar alguém que possa te acompanhar neste processo e se este texto te afetou, entre em contato comigo, quem sabe iniciamos um processo terapêutico?






