O amor que fica

Sempre temos alguém que marca a nossa vida. Me sinto muito sortuda, pois tenho uma listinha destas pessoas e agradeço por isto, mas hoje escolhi falar de quem foi muito importante na minha construção afetiva-amorosa.

Ele é especial para mim por uma série de fatores. Em primeiro de tudo, me ensinou o que era receber afeto. Eu não sabia como retribuir um abraço, um carinho, uma gentileza em forma de toque.

Em casa nós tínhamos apreço em palavras, mas nunca fomos de abraçar e beijar muito, ou seja, manifestar carinho físico.

Outra coisa que foi fundamental é que ele quebrou todas as regras possíveis do padrão de relacionamento que se espera, principalmente na minha família. Eu sou bem mais velha que ele e embora existisse a diferença de idade eu me achava imatura na relação. E tive que me superar quanto a isto e não sei se nosso envolvimento foi tão saudável quanto poderia, pois a resistência sempre partia de mim.

O mais curioso de tudo nesta história é que o preconceito veio da minha família. Eles não o reconheciam como meu namorado e sim um “amiguinho” que eu tinha. Já a família dele me adotou. E me senti pertencente a algum lugar. Lá eu era ouvida, compreendida, reconhecida e muito amada.

Não, não estou dizendo que não havia amor dos meus pais para mim, sempre teve, mas eu experimentei outros tipos de amores por lá. Uma coisa mais palpável e real.

Ninguém me via como “a mulher mais velha que está namorando meu pequeno filho”, me viam como um ser humano que estava vivendo um amor verdadeiro.

Levei tempo para entender o que era este sentimento, mas com ele eu descobri que amor fica para sempre.

De tempos em tempos, entre términos de namoros e rolos meus e dele a gente marcava para sentar e conversar. Saíamos para comer, bater papo, falar da vida, sem rolar nada entre nós, era a troca da conversa que sempre nos foi muito boa e que permaneceu…

Ele seguiu para um caminho, eu por outro e nos distanciamos.

Porém, sempre foi muito comum eu sonhar com ele e descobrir depois que quando sonhei a vida dele estava em reviravolta. Da última vez foi bem forte e acabei o procurando para saber como estavam as coisas.

Soube, entre outras coisas, que ele encontrou alguém que faz todo sentido em sua vida. E eu torço tanto para que sejam ainda mais felizes, porque embora não a conheça, sei que é especial.

Não existe mais o desejo de estar com ele num relacionamento íntimo, mas tenho uma vontade enorme de ver ele se dando bem na vida.

Li outro dia uma frase que faz muito sentido sobre nós ” Quando você quer a felicidade da pessoa mesmo que isso signifique que não seja com você, como isso se chama?”

Eu chamo de amor. Do mais puro e verdadeiro. E falo sem nenhum peso ou medo que o amo. Amor tem a ver com desejar o bem, cuidar e emanar os melhores sentimentos para o outro. Amo não só ele como a família, sinto que nos reencontramos.

E só por ter passado por esta experiência já valeu a pena ter vivido.

Espero que todos vocês possam, pelo menos uma vez, sentirem este afeto desapegado por alguém, aquele sentimento de ternura que independe de posse e que ultrapassa os limites materiais e terrenos, pois tudo o que fica está na alma e não na matéria.

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